Boletim | Agosto | nº 06/2020

Agosto | nº 06/2020

Editorial

Apesar dos números negativos da economia brasileira, todo o setor produtivo vem trabalhando arduamente em busca de dias melhores. A tarefa, que não nos parece nada fácil, enfrenta ainda a preocupação com a volatilidade dos preços dos principais insumos.

O que temos visto nos últimos dias é o preço da matéria-prima subir, e um cenário incerto quanto à oferta de insumos e produtos acabados. Pensando nisso e no quanto essa realidade pode afetar nosso mercado, preparamos uma matéria com um especialista em finanças, para mostrar a importância da gestão correta para a sobrevivência da empresa.

Vamos mostrar também, como o uso correto do aquecedor solar de água pode trazer economia e satisfação aos usuários. Ao colocar o sistema de aquecimento solar para a piscina, um condomínio na Mooca, em São Paulo, precisou aumentar o número de cadeiras e esteiras para receber os moradores, que há muito já não frequentavam mais as áreas sociais.

Esse exemplo é fruto da combinação perfeita entre eficiência do aquecedor solar e da instalação. Tema que será abordado na matéria com dois especialistas em avaliação da conformidade e eficiência energética, Aluízio Gonçalves e Alexandre Novgorodcev, precursores da Etiquetagem no Brasil pelo INMETRO.

Finalizando a edição, uma matéria sobre o Forum de Energia Solar que acontece em outubro, e deverá servir como um divisor de águas para a implantação de uma legislação municipal, e o trabalho que a ABRASOL vem fazendo na área de Marketing, como forma de fortalecer a imagem da Associação e da tecnologia solar térmica.

Temos muito trabalho pela frente, mas caminhamos com a certeza que estamos na direção certa.

Vamos em frente!

Oscar de Mattos
Presidente

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E INSTALAÇÃO CORRETA SÃO FUNDAMENTAIS PARA FORTALECER A TECNOLOGIA

A eficiência dos equipamentos de aquecimento solar térmico, aliada a uma boa instalação são os pontos chave para garantir a satisfação dos consumidores e o fortalecimento da divulgação da tecnologia. A conclusão é de dois especialistas em avaliação da conformidade e eficiência energética, que há mais de 40 anos atuam na área de Etiquetagem: Aluízio Gonçalves e Alexandre Novgorodcev.

Alexandre Novgorodcev – Especialista em Avaliação da Conformidade

Aluízio Gonçalves já está aposentado do Inmetro e Alexandre Novgorodcev ainda trabalha, no entanto está focado no segmento automotivo. Os dois iniciaram o processo de Etiquetagem no país e reforçam que quando o consumidor adquire um produto com o selo do Inmetro e do Procel, e este não o atende por conta de uma instalação ruim, quem comprou não vai pensar na má instalação, mas que o produto não é eficiente. “Cai o nome do Inmetro, caio o nome do Procel e o nome do técnico, esse é o problema”, explica Gonçalves.

A iniciativa de verificar a eficiência dos produtos surgiu após algumas crises energéticas, comenta Alexandre. Ele diz que o Inmetro foi chamado pela indústria de eletrodomésticos para ajudar a provar ao consumidor que os produtos eram eficientes.

A Etiquetagem acabou por proteger a indústria ao mesmo tempo em que ensinava a como fazer bons produtos para concorrer com os estrangeiros. “Os empresários almejavam que a etiquetagem fosse compulsória, pois a partir daí, nenhum produto sem etiqueta entrava no país. Quando isso aconteceu com os equipamentos solares, permitiu que não tivéssemos uma invasão de produtos chineses de baixa qualidade , que foram barrados na Europa.”

Aluízio lembra que havia um programa na área solar complementar a avaliação de conformidade que o Inmetro faz. “Tentamos implementar mas parece que não obtivemos o sucesso que esperávamos. Nós chamávamos de QualiSol, que seria a qualificação do técnico para instalar o equipamento.”

Aluizio Goncalves – Especialista em Avaliação da Conformidade

O equipamento solar argumenta, por mais que esteja Certificado pelo Inmetro e tenha o selo do Procel, se for mal instalado não vai funcionar, não vai atender às expectativas do consumidor. “Estava lendo o ABRASOL INFORMA, e vi que a ABRASOL está implementando um programa chamado CertificaSol, que em outras palavras seria um substituto do QualiSol. Isso é muito importante que realmente aconteça. Esse programa vai dar ao consumidor a certeza que ele está comprando um produto e instalando muito bem, dentro de todos os procedimentos estabelecidos pelo Inmetro para a Certificação desse produto.”

Os especialistas dizem que é preciso “levantar a régua”. “Começamos a Certificar o coletor solar para classificar a eficiência energética dele por m², e depois, o mais importante, o coração, a alma que conserva esta água aquecida pelo sol gratuitamente, que era o grande vilão na época dos sistemas mal construídos, o reservatório térmico .”

*Os produtos etiquetados que apresentam o melhor desempenho energético em sua categoria poderão também receber um selo de eficiência energética. Isto significa que estes produtos foram premiados como os melhores em termos de consumo específico de energia e faz a distinção dos mesmos para o consumidor. Para os equipamentos elétricos domésticos etiquetados é concedido anualmente o Selo Procel. Para aparelhos domésticos a gás é concedido o Selo Conpet.

CONDOMÍNIO INVESTE EM AQUECIMENTO SOLAR DA PISCINA E AUMENTA FREQUENCIA DE MORADORES

Propiciar conforto aos usuários é apenas um dos benefícios do aquecimento solar térmico. Quando esse fator é associado à economia de recursos a tecnologia fica ainda mais atrativa. Na busca pelo duplo benefício, muitos gestores de condomínios estão investindo no aquecimento solar das piscinas.

Conselheiro de um condomínio na Mooca, bairro tradicional de São Paulo, o engenheiro eletrônico, Eduardo Henrique Marcondes, conta que após o aquecimento da piscina externa, foi preciso comprar mais esteiras, mesas e cadeiras e construir gazebos para acomodar os moradores que tinham deixado de ir à piscina e que voltaram a frequentar.

Eduardo Henrique Marcondes – Engenheiro Eletrônico

O condomínio possui seis torres com duas unidades por andar, em um total de 324 apartamentos. O complexo possui três piscinas, uma coberta, uma externa e a infantil. O sistema de aquecimento solar foi instalado para atender a coberta e a externa. “A inovação é que temos um sistema que manobra as válvulas automaticamente, conforme a programação”, explica Marcondes.

A piscina coberta era aquecida a gás e a externa não era aquecida. “Os moradores gostaram tanto do aquecimento solar que acabamos mantendo sempre priorizado o aquecimento da externa. Faz um ano que instalamos, mas com a pandemia, não usamos muito.”

Ele explica que o mais importante foi dimensionar e ajustar o local da colocação das placas para captação da energia solar. O prédio continua mantendo o sistema a gás, por enquanto, para a piscina coberta. “Colocamos o aquecimento solar para economizar, uma vez que o gás teve uma sequencia de aumentos, que inviabilizou o uso.”

Ele explica que o aquecimento solar está dedicado à piscina externa. Quando esta atinge a temperatura programada o sistema inverte as válvulas e passa a aquecer a interna, ao invés de desligar. “Como a piscina externa é grande e dorme descoberta, acredito que raramente ele chegou a chavear. Só no alto verão mesmo. Mas não há dúvidas de que o aquecimento foi um sucesso.

PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA CONTRA A CRISE

Depois do abalo provocado pela pandemia da Covid-19, o país começa a retomar a atividade comercial. No entanto, é comum encontrar situações em que o empresário, na busca por faturamento se esquece de avaliar premissas fundamentais de todo negócio.

Miguel Passos – Especialista em Controladoria, Finanças e Tributos

Logo, antes de olhar para o preço praticado pela concorrência, é muito importante olhar para dentro da própria empresa e para a planilha de custos. Segundo Miguel Passos, Contador, especialista em Controladoria, Finanças e Tributos, muitas vezes os empresários desconhecem ou não se atentam à todos os custos que devem ser computados na hora de formar o preço.

Ele ressalta que não é simplesmente avaliar por quanto compro e por quanto vendo. “Além do valor de aquisição de um bem, podemos ter outros custos como por exemplo, comissão de vendas, custos fixos, frete, encargos financeiros etc, que devem ser considerados na formulação do preço de venda. Muitas vezes nada disso é colocado na ponta do lápis na hora de fazer o levantamento de preços, e o empresário acaba se deparando com margens negativas.”

Diante do cenário atual, em que os preços dos insumos estão aumentando e existe o risco de falta de produtos, em função da combinação de produção parada por cinco meses, e aumento da demanda pós fase crítica da pandemia, é preciso ficar ainda mais atento. “Estamos diante de uma realidade externa ao controle. São questões de mercado e o melhor a fazer é se antecipar e negociar com os setores para garantir um preço competitivo para o seu produto.”

O segredo, explica está no planejamento. É preciso mapear bem o cenário, saber onde há uma possível falta de mercadoria, e assim ter noção do quanto isto vai impactar no negócio. Essa consciência vai permitir tomar as medidas preventivas. Fazer uma gestão interna de custos, quais despesas não são essenciais no momento, para mesmo que tenha um aumento na matéria-prima, não precise repassar na totalidade e consiga absorver uma parte deste custo na hora de calcular o preço.

Especificamente na questão de financiamentos, Passos destaca alguns programas do governo, como o PRONAMPE, lançado em julho e que já destinou R$ 18 bilhões de crédito e agora para empresas de qualquer porte com faturamento de até R$ 4,8 milhões ano, e o PESE – Programa Emergencial de Suporte a Empregos.

No primeiro caso o financiamento para capital de giro possui como taxas a SELIC mais 1,25% ao ano, podendo ser pago em 36 meses. O PESE é destinado a pessoas jurídicas com faturamento até R$ 10 milhões, e é específico para a sustentação da folha de pagamentos. “Independente das dificuldades e de muita gente não ter conseguido captar os recursos, digo que as empresas que estiverem com seus controles contábeis atualizados e organizados terão vantagens sobre as outras.”

Para fugir da briga de preços, o especialista reforça que é preciso ter uma gestão adequada dos custos, cuidando das margens e por fim agregando valor ao produto. “Mantendo meu preço de venda, o que mais posso oferecer ao meu cliente para que ele veja em mim um fornecedor, que pode até vender um pouco mais caro, mas possui um serviço superior? Ou seja, gerar benefícios extras para os clientes, para que eles vejam na empresa um valor diferenciado e não apenas olhem o preço. Isso vai muito da criatividade do empresário. Inovação não está apenas no produto. É preciso pensar fora da caixa.

FÓRUM ENERGIA SOLAR

Acontece no próximo dia 22 de outubro o Webinar do Fórum de Energia Solar – Desafios e diretrizes para uma política municipal. A ABRASOL acompanha os trabalhos do Fórum desde o início das discussões, que acabaram interrompidas pela pandemia.

Para o presidente Oscar de Mattos, a discussão de diretrizes para a regulamentação municipal do uso da energia solar é fundamental para o desenvolvimento do setor, bem como para garantir à população formas sustentáveis de utilização de energias renováveis.

TRABALHANDO O MARKETING DO AQUECIMENTO SOLAR TÉRMICO

Fortalecer a imagem do aquecimento solar térmico é um dos principais pilares da ABRASOL. Para ajudar nessa tarefa o Departamento de Marketing desempenha um papel fundamental. “Ele é visto pela diretoria como um Departamento que pode ajudar a tornar a Associação mais conhecida, divulgar os associados para o mercado e as ações que fazemos em prol do setor”, explica o vice-presidente de Marketing, Marcelo Madeira.

Para tanto o trabalho tem sido focado na divulgação de notícias sobre o setor na mídia, de forma que os consumidores comecem a enxergar o setor de aquecimento solar térmico como uma opção muito viável em várias formas de aplicação (resindencial, industrial, comercial, habitação de interesse social, hospitais, clubes entre outros).

O trabalho vem sendo dividido em duas frentes. A primeira é a assessoria de imprensa, que faz a divulgação para os veículos de comunicação das ações da ABRASOL, quer através de releases, ou de artigos desenvolvidos com profissionais especializados na tecnologia solar térmica. 

De outro lado existe o trabalho junto às mídias da própria ABRASOL. “Temos o ABRASOL INFORMA, publicado uma vez por mês, sempre com um material diversificado sobre a utilização do aquecimento solar térmico, e nossas mídias sociais.”

Para Marcelo Madeira, é importante que, assim como a ABRASOL, as empresas orientem seus Departamentos de Marketing para mostrar a importância do aquecimento solar térmico, principalmente diante  da pandemia. “Estamos em um momento de renovação de conceitos, precisamos mostrar que o Brasil é privilegiado em termos de energia solar e que a indústria está apta a oferecer soluções aliando redução de custos à preocupação com o meio ambiente.”

Por: Marcelo Madeira

Vice-Presidente de Marketing