Boletim | Dez. | nº 10/2020

Dezembro | nº 10/2020

Editorial

O ano de 2020 acabou e tivemos que nos reinventar. Esperamos que 2021 traga mais estabilidade na Saúde, Educação e nos Negócios. As expectativas são boas. Temos bons projetos caminhando dentro da ABRASOL e também em nível governamental. Esperamos trazer novidades nos próximos meses.

Por enquanto podemos comemorar a publicação da Portaria nº 377, que altera a nº111 e prorroga os prazos gerais para a realização e manutenção das atividades de Programas de Avalição da Conformidade. A medida surge como um alento para nosso setor que enfrentou tantas dificuldades durante esse ano.

Terminamos o ano mostrando também mais um exemplo de sucesso do aquecedor solar. Dessa vez um processo de secagem de lodo de ETA e ETE, utilizando placas solares para geração do aquecimento das baias de secagem.

Nossa busca por políticas públicas e a recompensa desse árduo trabalho estão retratados na entrevista com o vereador de São Paulo, Eliseu Gabriel, que criou o projeto de lei que trata da política Municipal de Energia Solar.

E finalmente, meu agradecimento ao trabalho e empenho de toda a diretoria da ABRASOL, que apesar das dificuldades desse ano prestigiou o trabalho e arregaçou as mangas em busca de soluções para o setor.

Vamos em Frente!

Por: Oscar de Mattos
Presidente

PROJETO DE LEI BUSCA AMPLIAR USO DA ENERGIA SOLAR NO PAÍS

A ABRASOL tem trabalhado arduamente em defesa do uso do aquecedor solar para aquecimento de água. Parte destas ações busca incentivar o governo a implantar políticas públicas com foco em sustentabilidade, contemplando os aquecedores solares

Vereador Eliseu Gabriel

A cidade de São Paulo, pioneira em várias discussões, deu passo importante nesse sentido, com o Projeto de Lei que trata da política municipal de Energia Solar, do vereador Eliseu Gabriel. Segundo ele, uma das vantagens é que a cidade é referência em todo o Brasil e, aprovando este projeto, o crescimento no uso de energia solar também cresceria em todo o país.

O projeto prevê a instalação dos equipamentos necessários em localidades que tenham condições adequadas para fazer o uso desse tipo de energia. “A ideia é que as construções passem a ter a energia solar para que parte da energia gasta, basicamente usada para aquecimento, venha da energia solar”, argumenta.

O vereador também destacou as vantagens econômicas neste momento de crise, uma vez que a aprovação do projeto geraria empregos e aqueceria a atividade econômica. Além disso, há benefícios ao meio ambiente, já que a energia solar é limpa e sustentável.

O projeto de Lei, detalhado e abrangente, aborda pontos como a impossibilidade de instalação em áreas com grande sombreamento e adequações para cada caso específico de instalação.

Para alcançar a aprovação, Gabriel esclarece que ainda há um longo caminho pela frente. “Como é um projeto extremamente denso, que implica em alteração significativa da vida na cidade de São Paulo, ele leva muito tempo para ser aprovado.”

Ele conta que já andou bastante pelo mundo e a Turquia foi um país que chamou muito sua atenção. “É impressionante, todas as casas, todos os prédios, até prédios não muito altos de 5, 6 andares, todos têm a energia solar térmica, e lá não tem insolação como aqui”, exemplifica.

O vereador ressalta que essa mudança mexe com paradigmas da distribuição de energia. “Não tem o menor cabimento usar a energia elétrica. Chuveiro elétrico é uma coisa completamente fora de moda, fora dos padrões civilizatórios nos dias de hoje.”

O primeiro passo para aprovação do Projeto, que é a revisão da Comissão de Constituição e Justiça, já foi dado, e a expectativa é que a primeira aprovação na Câmara aconteça durante o primeiro semestre de 2021.

PROJETO SOLAR PARA SECAGEM DE LODO

A versatilidade do uso de aquecedores solares é infinita. Um bom exemplo é o projeto desenvolvido pela Brako Ambiental e Serviços, para a Sabesp de Presidente Prudente, interior de São Paulo. A empresa criou o projeto hidrosolar de secagem de lodo de ETA (Estações de Tratamento de Água) e ETE (Estações de Tratamento de Esgoto).

Utilizando coletores solares o projeto gera o aquecimento das baias de secagem do lodo, através de um circuito fechado utilizando serpentinas. De acordo com o Projetista do Grupo Brako Ambiental, Osvaldo Flávio Moterani Ricci, foram utilizados 20 coletores solares para geração de calor em circuito fechado, ligado ao boiler de 2.000l, o que garante a temperatura média de 50ºC.

O sistema utiliza tecnologia avançada para a secagem do lodo com enriquecimento para sua transformação em produto. Com o uso da tecnologia é possível reduzir o volume e peso em até 80%, eliminando assim, a utilização de aterros sanitários, barragens e consequentemente o passivo ambiental.

Após a secagem do produto a partir do aquecimento e esterilização, ele é transformado em adubo orgânico para utilização em plantio de milho, soja dentre outras culturas. Flávio Ricci explica que antes da implantação do projeto o material era enviado para aterros sanitários com alto custo de transporte e armazenamento.

O sistema de secagem é realizado de forma automática, com programação de horário e monitorado por câmeras de wifi à distância, não precisando de operador no local. Desenvolvido em um sistema de túnel de aquecimento não é necessário que seja instalado dentro de estufas ou galpões específicos.

A cobertura em telha de policarbonato proporciona uma durabilidade em torno de 20 anos. As placas de aquecimento e secagem estando em temperatura regular de 60 a 70 graus, permitem a esterilização do produto de forma que o mesmo seja utilizado na agricultura, além de outras aplicações.

Nota:

ETE Limoeiro – Presidente Prudente - SP

Sistema de Secagem de lodo com enriquecimento, para a sua transformação em produto; Secador Thermo Solar K963 (secagem primária); secador OM 352 – Revolvedor e Homogeneizador do lodo para sua aplicação em agricultura.

PUBLICADA A PORTARIA INMETRO Nº377/2020 QUE ALTERA A PORTARIA Nº111

Após inúmeras reuniões entre a ABRASOL e o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), foi publicada no dia dez de dezembro a portaria nº377, que altera a nº111 e prorroga os prazos gerais para a realização e manutenção das atividades de Programas de Avalição da Conformidade (PAC). Essa decisão permanecerá enquanto o estado de emergência relacionado à pandemia da Covid-19 estiver em vigor.

A alteração na portaria é celebrada como uma grande conquista para o setor que enfrentou obstáculos durante o ano de 2020 e a ABRASOL, que sempre agiu em prol de seus associados, teve importância nessa decisão, “encaminhamos diversos pleitos, reuniões e debates com os representantes do Inmetro, até que conseguimos colher os frutos do nosso trabalho”, explica Danielle Johann, diretora executiva da ABRASOL.

Com isso, a Associação já possui uma agenda de trabalhos que inclui, em parceria com o INMETRO, o aperfeiçoamento do regulamento técnico que é aplicado ao setor de energia solar térmica e que vai harmonizar questões relacionadas aos ensaios e pontos de melhoria para a nova portaria.

“Esse trabalho vai trazer muitos benefícios aos nossos associados, uma troca significativa de informações e esclarecer dúvidas que possam surgir”, completa o presidente, Oscar de Mattos.

A ABRASOL espera manter para 2021, a mesma comunicação com o Inmetro e outros agentes públicos, para que novas conquistas sejam alcançadas.

Para acessar a portaria na íntegra, clique aqui.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO

O Ano Novo chegou. Com ele, como sempre, as esperanças de melhora, principalmente depois de um ano difícil como foi 2020. Acredito que será um ano de muito trabalho, mas bastante positivo. É momento de colher tudo que plantamos em 2020. E não foi pouca coisa.

A ABRASOL ao longo de todo o ano não mediu esforços na defesa do setor. Terminamos 2020 com projetos importantes em andamento ou mesmo prontos para serem colocados em prática. Entre eles estão o Certificasol e o Selo ABRASOL de Qualidade.

O Certificasol foi criado no início deste ano, no entanto, a pandemia da Covid-19 atrasou sua implantação. A expectativa é implantá-lo até o final de 2021, buscando promover o crescimento do mercado de energia solar térmica, por meio da capacitação e certificação dos profissionais do setor.

Também pretendemos criar o SELO ABRASOL. Hoje o mercado é praticamente regulado pelo Inmetro e Ipem. Queremos criar um programa voluntário, ou seja, os fabricantes e representantes que aderirem ao SELO, para comercializar ou fabricar os produtos terão a Certificação.

A ideia é ter uma “autorregulação”. O próprio fabricante fiscalizará a qualidade e veracidade das informações do produto que está no mercado. Ao aderir ao SELO o fabricante tornará pública as principais informações da composição do produto contidas na PET – Planilha de Especificações Técnicas, de forma que seja fácil constatar uma não conformidade.

Acreditamos que desta forma, o próprio mercado se autorregulará garantindo a qualidade dos produtos ofertados. É mais uma forma da ABRASOL contribuir para a melhoria do mercado e o fortalecimento das empresas associadas.

Nem precisa dizer que temos muito a fazer, mas tenho certeza que com a ajuda dos associados e da diretoria, 2021 será um Ano realmente Novo.

Por: Oscar de Mattos
Presidente