Boletim | Maio| nº 03/2020

Maio| nº 03/2020

Editorial

Fortalecer e valorizar as empresas do segmento de aquecimento solar térmico tem sido o foco da ABRASOL. Temos feito um grande esforço para agregar valor às empresas que lutam junto conosco pelo desenvolvimento do setor de aquecimento solar térmico.

Nesta edição do ABRASOL INFORMA vocês poderão conhecer importantes tendências no segmento de material de construção, bem como acompanhar o andamento das ações que fizemos com os governos de vários Estados do país, na tentativa de reabrir as revendas. Depois do sucesso conquistado em Goiás, também obtivemos êxito em Santa Catarina.

Para ajudar a disseminar o uso do aquecimento solar, a cada edição vamos apresentar um case de sucesso. Nesta edição uma construtora explica as vantagens da utilização do aquecimento solar térmico a partir de um projeto personalizado, no qual cada detalhe é pensado e realizado para aproveitar todos os benefícios dessa tecnologia.

Em tempos de crise não podemos deixar de lado a gestão das empresas. Para tanto, nosso vice-presidente de operações financeiras, Marcos Cézar Montalvão, preparou um artigo mostrando pontos que precisam ser avaliados na operação de uma empresa. Aproveito para agradecer toda a diretoria pelo empenho que todos têm demonstrado em contribuir com a entidade em defesa de melhorias para esse mercado.

Para que possamos fortalecer esse mercado precisamos de equipamentos com tecnologia de ponta, conscientização da opinião pública incentivo do governo para as construções que privilegiam o uso da energia solar térmica, bons instaladores, para que possam fazer justiça à melhora técnica dos equipamentos, e precisamos que o mercado valorize a compra de imóveis que dispõem de equipamentos solares para o aquecimento de água.

Oscar de Mattos
Presidente

Consumidor “Ecologicamente Alfabetizado” busca mercado de aquecimento solar térmico

Claudio Conz
presidente do Sincomaco e CEO da EVA

A ABRASOL conversou com Claudio Conz, presidente do Sincomaco (Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Material de Construção e de Material Elétrico no Estado de São Paulo) e CEO da EVA (Escola de Varejo Ampliada), sobre a situação do setor de energia solar térmica neste momento de crise, decorrente da pandemia de covid-19.

O tema sustentabilidade já está na boca dos consumidores, que têm chegado às lojas de materiais de construção mais preocupados com o meio ambiente. “Temos percebido de forma forte um consumidor ecologicamente alfabetizado. Preocupado com o consumo de energia, com novas alternativas. Ele está preocupado efetivamente em ser sustentável, e está querendo se inserir nisso”, diz Conz.

Para ele, a expectativa de crescimento acelerado do setor de energia solar térmica foi interrompida pela crise do coronavírus. “Não tenho dúvida que se não tivéssemos a pandemia, a questão que envolve qualquer coisa ligada à energia solar iria explodir esse ano.” No comparativo com o mesmo período de 2019, as revendedoras de suprimentos para construção registraram baixa de 40%.

No entanto, Claudio destaca que após os primeiros 30 dias de quarentena, os compradores estão retornando vigorosamente a essas lojas. Para ele, alguns dos principais motivos são a fadiga de materiais domiciliares consequente do uso intensificado durante este período, a atenção a detalhes e a demanda de infraestrutura do trabalho remoto, inédito para muitas pessoas.

Daqui pra frente, Claudio Conz vê uma grande oportunidade para sistemas de aquecimento solar, mas a indústria precisa se atentar a alguns fatores. Os esforços que o consumidor precisa concentrar com instalação são dificultadores, e facilitar ou até mesmo oferecer este tipo de serviço é um impulsionador que já se provou eficaz, por exemplo, na venda de pisos laminados. O caminho é assumir esta responsabilidade e não acabar “deixando isso sob responsabilidade do consumidor”.

“Se pautar com mais foco essa questão de organizar a instalação, de alguma maneira que o próprio consumidor possa achar na internet, enfim, ter estratégias sobre isso, sem dúvida nenhuma, a junção da vontade do consumidor e ter facilidade de instalação, vai ampliar muito mesmo o mercado, ele terá um espaço muito grande”, conclui Conz.

SC atende pleito da ABRASOL

 

A ABRASOL continua colhendo resultados positivos em seu pleito de solicitar a inclusão das empresas comercializadoras e prestadoras de serviços de Aquecedores Solares de Água, como serviços essenciais. Depois de Goiás, agora foi a vez do governo de Santa Catarina permitir o funcionamento das empresas do setor de aquecimento solar térmico.

A decisão foi publicada no dia 14 de maio, pela chefia da Casa Civil e garante o funcionamento das empresas, desde que atendendo as normas sanitárias e evitando aglomerações.

A ABRASOL encaminhou ofício aos governos de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Construtora Franco Penteado utiliza aquecedores solares de água há mais de 20 anos em seus empreendimentos

Apostar em energia limpa, redução de custos e sustentabilidade de uma construção não é novidade para a Franco Penteado  Construtora e Empreendimentos. Desde o ano 2000, Adilson Penteado, diretor da empresa, decidiu investir no uso de aquecimento solar térmico para aquecimento de água em seus projetos.

A primeira experiência se deu durante a execução do projeto de um prédio. Penteado buscava alguma novidade em aquecimento solar para água em edifício residencial, já que o sistema era utilizado principalmente em hotéis e hospitais.

Em contato com o associado da ABRASOL, “decidimos implantar o sistema em um prédio que já estava praticamente pronto. Tivemos que desenvolver uma adaptação da estrutura que já estava pronta para colocar os coletores. Utilizamos , no térreo, uma cobertura em estrutura metálica da garagem, bombeamos a água quente para os reservatórios na cobertura e fizemos a distribuição para os apartamentos.”

Ele explica que nesse primeiro projeto não foi possível colocar o número de placas desejado,  “utilizamos um aquecimento solar com apoio a gás, o que já foi um grande avanço. Tivemos alguns problemas de manutenção que foram corrigidos, mas mostrou-se uma opção interessante.”

Depois disso, a construtora partiu para um novo projeto de um edifício com 20 pavimentos, com uma área maior. “Este sim foi pensado desde o início. Projetamos os locais para as placas, a cisterna para o reaproveitamento de água da chuva para lavagem de subsolo. Usamos sensores de presença, tudo que pudemos melhoramos em termos de utilização e possibilidade de preservação do meio ambiente ”, comenta.

Penteado destaca que neste projeto as placas foram colocadas sobre o telhado e os reservatórios ficaram embutidos. “O acesso é pela escada do prédio. No último pavimento temos a casa de máquinas e em seguida chega aos reservatórios de água fria e quente.”

Outro exemplo citado foi um empreendimento de uma vila de casas com uma torre de 20 pavimentos, feita 10 anos mais tarde. “Usamos o avanço da tecnologia como um todo. No edifício não foi necessário mais uma casa de máquinas para os elevadores, tudo fica embutido no telhado, então o telhado ficou 100% para a utilização de placas. O progresso foi poder montar a planta do telhado com a utilização do sol, projetando a sua inclinação pensando na colocação das placas , com aproveitamento de 100% dos raios solares para o sistema de aquecimento, eliminando as perdas de sombreamento.”

Para o construtor, falar no uso de equipamentos de energia solar térmica não é apenas falar em redução de despesas com energia elétrica. Trata-se do uso de tecnologia sustentável, de energia limpa. Na sua opinião o que falta é o setor imobiliário utilizar a presença desses equipamentos como ferramenta para a venda do imóvel. “Os corretores não são treinados, não tem conhecimento dessa tecnologia que poderia ser plenamente utilizada como atrativo na hora de vender o imóvel.”

Adilson Penteado também reclama da falta de estímulo do poder público. “Hoje temos a inclusão dos equipamentos no projeto “Minha Casa, Minha Vida”, o que é uma importante conquista, mas precisamos de incentivos para residências de porte maior. Estamos falando em benefício para o meio ambiente e também para a economia.”

Gestão do caixa em momentos de crise

Desde o início da pandemia do coronavírus as empresas tiveram que aprender a lidar com uma nova realidade. Em boa parte do país, quem não faz parte dos serviços essenciais, viu seu estabelecimento fechado, sem faturamento, tendo que buscar alternativas para manter os funcionários, ou até mesmo tendo que demitir ou suspender contratos de trabalho.

Não é de hoje que os economistas alertam para a necessidade de atenção na gestão das empresas. O que já era fundamental, diante da atual crise ganhou ainda mais importância, alerta o vice-presidente da ABRASOL, Marco Cézar Montalvão. “É sabido que nesta situação, o recurso financeiro se torna mais escasso e o que esta disponível acaba sendo extremamente caro.”

Para administrar essa situação, Montalvão defende como primeiro passo criar um grupo para gerir e desenhar as estratégias da empresa nesta face de turbulência.

Tópicos que devem ser trabalhados pelo grupo de crise;

1 – Desenhar cenário – Conjuntura Econômica e Política;

Definir no que aquilo impacta o negócio o contexto no qual a empresa está inserida e como isto pode ser oportuno ou gerar barreiras para o negócio.

2 – Análise SWOT (Forças/Fraquezas/Riscos/Oportunidades);

Sucintamente, é uma ferramenta que lhe permite fazer um diagnóstico estratégico da empresa no meio em que está implantada.

3 – Revisar o plano estratégico da empresa em função da mudança radical de cenário.

Mapeamento :

– Ter clareza da real situação financeira e econômica da empresa;

– Montar fluxo de caixa para os próximos 30 dias com atualizações diárias;

– Rever politica de compras e condições de pagamentos;

– Rever política de crédito e prazo recebimento;

– Reavaliar capacidade de produção e grau de ociosidade da empresa para possível ajustes (férias, banco de horas, etc.);

– Rever contratos;

– Avaliar no mercado as linhas de créditos disponíveis e custos destas linhas caso a empresa vislumbre necessidade de captação.

– Criticar todos as despesas fixas da empresa buscando identificar gastos desnecessários os possam ser adiados;

– Rever plano de investimento;

– Rever politica de estoque;

Com tais informações o grupo de crise poderá direcionar ações a serem seguidas pela empresa, ou seja, desenhar um planejamento estratégico revisado onde toda a direção deverá seguir. Uma vez definido o novo plano, o grupo de crise deverá:

– Delegar as atividades;

– Acompanhar o andamento;

– Corrigir rota se for o caso.

“Tomando essas medidas entre outras, as empresas conseguem mitigar os impactos causados pela crise”, orienta.

Por: Marcos Cézar Montalvão
Vice-Presidente de Operações Financeiras